“Uma visita a Beethoven e outros escritos”, de Richard Wagner

Wagner
Uma visita a Beethoven, de Richard Wagner

A posição de destaque de Richard Wagner na história da música é incontestável. Como bem aponta a filósofa Lydia Goehr, Wagner fez para a ópera aquilo que Beethoven havia feito para a sinfonia, ou seja, a levou à consagração no panteão dos gêneros musicais (2007, p. xxiiii). Com um raro talento para a autopromoção e com um notável faro para perceber os anseios da burguesia alemã, Wagner descobriu novos caminhos inexplorados, novas possibilidades para a ópera, transformando-a em objeto de um verdadeiro culto. Neste sentido, não é exagero afirmar que os escritos de Wagner constituem um verdadeiro testamento do universo da ópera no século XIX.

A coletânea de textos, publicada pela Editora Imaginário sob o título de “Uma visita a Beethoven e outros escritos”, traz a possibilidade de conhecer essa faceta do compositor alemão. Nestes escritos podemos traçar um perfil das opiniões estéticas e os posicionamentos de Wagner no campo da música. “Beethoven”, o mais significativo dos textos da coletânea, nos apresenta a visão ideológica de Wagner sobre a figura de Beethoven, onde de maneira sagaz o compositor da tetralogia tece um discurso que estabelece no subtexto sua condição de discípulo do grande mestre.

O compositor Richard Wagner
O compositor Richard Wagner

O posicionamento de Wagner se torna claro à medida que avançamos na coletânea, contemplando suas posições acerca da autonomia do campo artístico, da música absoluta, do papel do virtuosismo musical e de sua visão particular sobre a cultura alemã como um todo. Neste sentido, tais escritos funcionam como embriões das futuras obras mais ambiciosas como “Arte e revolução”, “A obra de arte do futuro” e “Ópera e drama”, constituindo uma excelente introdução ao pensamento do compositor.

Como certa vez apontou o escritor tcheco Milan Kundera, depois de Wagner os movimentos artísticos adotaram o manifesto como pedra fundamental de seus posicionamentos artísticos e políticos. O posicionamento ideológico tornou-se cada vez mais imprescindível para todos aqueles que desejassem tomar posição dentro do campo musical. Professando ou não a mesma fé do compositor, a leitura de seus escritos sobre música é fundamental para todos aqueles que queiram entender a história dos posicionamentos no campo da música.

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Referência

GOEHR, L. The immaginary museum of musical Works. An essay in the philosophy of music. New York: Oxford university press, 2007

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