Bate papo e recital abrem V Festival de Música Contemporânea Brasileira

Recital de abertura contou com obras dos dois compositores homenageados

O recital de abertura do V Festival de Música Contemporânea Brasileira, que aconteceu no auditório lotado do Instituto CPFL em Campinas na noite de hoje, contou com obras dos dois compositores homenageados deste ano: Egberto Gismonti e Marisa Rezende.

Marisa Rezende (foto: João Alves/Música e Sociedade)

Um breve bate papo antecedeu o programa. Marisa Rezende fez alguns comentários a respeito do uso da ressonância em suas peças. A compositora pede muito o uso do pedal do piano, justamente para “molhar” os acordes e melodias atacados pelo intérprete. “A Thaís [Nicolau] me pergunta isso porque ela é pianista”, brincou. A intenção de Marisa vai contra a tradição, que pede o contrário: limpeza entre acordes, evitando dissonâncias.

Gismonti comentou sobre o uso da polirritmia em suas peças, elemento que, segundo ele, é resultado de ter sido filho de uma italiana e um libanês. Lembrou-se da infância, quando ganhava discos de diferentes artistas: todo o contraste contido em sua criação vem daí. “Tive em casa dois mandantes. Minha mãe gostava de serenata, por isso aprendi violão; meu pai achava que eu deveria tocar um instrumento importante, grande, e por isso aprendi piano”, contou o compositor.

Quarteto Radamés Gnattali e pianista Thais Nicolau (foto: João Alves/Música e Sociedade)

Preludiando, interpretado pelo por Hugo Pilger, explorou as possibilidades do violoncelo. Vórtice, interpretado pelo quarteto Radamés Gnattali, estabeleceu diálogos claros entre as cordas, em contraste com momentos de fala conjunta dos quatro instrumentos. Para o final da primeira parte, a pianista Thais Nicolau juntou-se ao quarteto para executar Cismas, peça que explora o piano como instrumento de percussão a partir da utilização direta das cordas.

Egberto Gismonti (foto: João Alves/Música e Sociedade)

A segunda parte coube aos solos de Egberto Gismonti, interpretados por ele mesmo ao violão. A riqueza rítmica de Lundú e Dança dos Escravos impressionaram: a primeira embalada por um ritmo incessante e preciso; a segunda, ainda mais polirrítmica, contrapondo o batuque do violão com a melodia tirada das cordas.

O V FMCB continua até dia 24 de março, em Campinas. Hoje, o dia será dedicado à vida e obra de Egberto Gismonti.

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